segunda-feira, 26 de agosto de 2013


 

Mergulho no mar

e poro a poro absorvo sua energia mineral.
Brinquedo de boiar.
Acalmo com seus sais
todos os meus ais.
Em paz.

domingo, 28 de abril de 2013


Creio cada vez mais que a felicidade verdadeira persiste, mesmo em meio ao cansaço e a momentos de impaciência. Ela persiste mesmo em meio aos momentos mais avessos pois não é momentânea. Felicidade é um fincar raízes dentro da  gente, e quando isso acontece, nada consegue nos abalar por completo. Claro que vamos sentir frustrações as mais diversas, mas sabemos, porque a felicidade nos contou, que ficaremos bem. A felicidade nos ensina que tudo passa, menos ela. E é ela quem nos ajuda a saber o que é importante na nossa vida. O que nos faz feliz de verdade é importante, o resto é perfumaria. Então, quis vir aqui dizer - sem medo de invejas pois tudo retorna a sua fonte - que mesmo com dores, com Felicianos e Paespalhos, com moralismos que cerceiam e ignorâncias que espantam, que mesmo com o fim do mês pesando no bolso e mesmo ainda com pequenas neuroses persistindo dentro de mim....eu sou feliz. Muito. E cada vez mais, pois enquanto as raízes se aprofundam, a árvore fica cada vez mais frondosa.

terça-feira, 23 de abril de 2013

FILHO



A palavra pulsava dentro de mim.
Amor latente,
e eu buscava formas de preencher esse desejo de te ter nos braços. 
Primeiro tentei não acreditar que te queria, face minha a me mirar, 
a me ensinar, no passar dos dias,
a ser humana e também a Grande Mãe,
protetora e cuidadora,
o alimento e o esteio.

Me enganava ao pensar que mais valia a liberdade, a independência de viver sem germinar. Mas você, fruto meu, me mostrou a verdade, o motivo porque em mim brotam sementes.

Começou a me transformar quando era ainda uma vontade, uma possibilidade que aos poucos cogitei: e pra te receber percebi que precisava me abrir de corpo e alma para o amor.
E esse amor me invadiu por teu intermédio, e me preparou pra te acolher. Me fez ventre, continente, verdadeira mulher.

Hoje você é minha vida, minha alegria,
a palavra doce que canto sem parar, eu,
a Grande Mãe, fêmea nutridora e amparo do meu amor,
no teu amor, meu FILHO.

sábado, 24 de novembro de 2012

OX

Ai!
leva pra longe esse perfume

que ele não me agrada!
Ele cheira a casa cheia de cortinas pesadas
a sala com papéis de parede escuros
decorada com flores de plástico
e retratos de antepassados sérios na parede.

Ai!
leva daqui esse perfume
que ele me deixa triste.
Porque cheira a um quarto
em que uma mulher sofre calada
e passa os dias a esperar 
alimentando memórias.
(ela as rega, como a plantas, só que com lágrimas e beijos saudosos num retrato antigo)

Por favor!
afasta de mim
esse cheiro de tristeza, medo e abandono,
que se me encontra pode me fazer lembrar do tempo em que eu sofria
- e isso não quero mais!

Leva
que em minha casa já não há janelas
nem cortinas, nem flores de plástico
nem quartos de solidão.

Leva
que eu saio todos os dias em busca do sol e da alegria.

É assim que é e como deve ficar.

Por isso te imploro:
leva daqui esse cheiro
que ele não tem nada a ver comigo.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Praia Vermelha II


Há um lugar onde minha alma descansa e se renova.
Na Praia Vermelha o tempo teima em não passar.
Tudo é paz nessa concha dourada de água e sal.


As braçadas do nadador solitário.
A maciez das vozes das crianças.
O voo preguiçoso da gaivota.
O verde do mar.
O verde da mata.
O azul do céu.
As ondas que beijam a areia e se desfazem em branca espuma.


Será difícil voltar ao asfalto
depois de ter caminhado em suas areias.


(MAVN, 31/08/2008)

terça-feira, 20 de março de 2012

Das 8 às 5

Das oito às cinco não cabe o eu
nem cabe o brotar de ideias -
só o automatismo cabe das oito às cinco.
Das oito às cinco não cabe abrir a janela
não cabe o voo do pássaro
o ar fresco
o sorriso espontâneo
a digestão do almoço.
Das oito às cinco não cabe o tempo do agora -
tudo é pra ontem das oito às cinco.
Não cabe mastigar a comida
ligar prá família
pagar as contas
cantarolar
ou regar as plantas.
Não cabe admirar as plantas das oito às cinco.
Não cabe a poesia das oito às cinco.
Das oito às cinco só cabe a frustração. E a vontade de ser mais livre.
(MAVN, 20 de março de 2012)

terça-feira, 13 de março de 2012

Essa menina que mora na rua


Essa poesia nasceu no ano passado, de um olhar mais atendo ao redor....e me veio com melodia, como uma música....Hoje, eu conheci essa menina. E ela dormia profundamente e serenamente, em uma rua movimentada de uma metrópole Brasileira, ao lado da fachada azul da Blockbuster. (Rio, 13/03/12)

“Essa menina que mora na rua
Que mora debaixo da marquise azul
Essa menina tem sonhos coloridos
Assim como os meus
                     
Sonha em rodar o mundo
Sonha com abraço de edredom quentinho
Sonha em morar em Bruxelas
Ou aqui num lugar legal

Essa menina que mora na chuva
Que se parece com uma flor solitária
E se parece com um girassol
Busca o sol assim como eu

Esssa menina que mora na rua
Que mora debaixo da marquise azul
Busca a palavra que explique o mundo
Que, como eu, ainda não entendeu”